MARION ZIMMER BRADLEY – A DAMA DE AVALON

Atualizado: 3 de Nov de 2019




À pergunta “Qual o seu livro favorito?” tenho a resposta na ponta da língua: Qualquer um da série “As Brumas de Avalon”.


A resposta é sincera, sem hesitar.


A lembrança desses livros me traz um sentimento gostoso de nostalgia, aquele friozinho gostoso na barriga de ansiedade, revolta por certas coisas, prazer por outras… Eu me atreveria dizer que foi a primeira vez que me senti muito tentada a roubar livros de um amigo.


Desde que li o primeiro parágrafo de “Senhora da Magia” – o primeiro livro da série –  eu soube que estava me envolvendo com forças superiores. Mas falarei sobre essa série incrível em outra oportunidade, antes disso quero apresentar e falar um pouco sobre a autora dessa obra, Marion Zimmer Bradley.

Ela era uma estadunidense nascida em Albany, capital de Nova Iorque, no ano de 1930, durante a grande depressão. Ainda jovem, tinha consciência da situação financeira difícil que viviam e por isso não esperou ter uma boa educação escolar.

Então, de onde surgiu sua paixão pela escrita fantástica? 

No livro “O melhor de Marion Zimmer Bradley” ela conta que aos 14/15 esteve fora de casa por conta de um emprego de verão. Ao parar na estação, foi até uma banca e, com seu próprio dinheiro, comprou um livro para a viagem. Não demorou muito para ganhar uma máquina de escrever e começar o esboço do que seria seu primeiro romance “A espada de Aldones”.


Marion casou-se duas vezes e teve dois filhos. Casou-se com seu primeiro marido aos 19 anos e teve um filho. Por sua escolha, não trabalhou e preferiu cuidar ela mesma da educação do filho à “ entregar a criação de nosso filho aos cuidados de alguém cujo valor de mercado era ainda menor do que o meu – ou seja, deixá-lo com uma mulher ignorante, que assumiria todo o trabalho braçal”. O primeiro marido não era um homem ambicioso e por isso não se importava em somente ele trabalhar. Com este tempo em casa, Marion então aproveitava para ter ideias e as consumar. O primeiro filho se chamava David (1950 – 2008) e era alvo de agradecimentos da mãe nos livros por ajudá-la a finalizar algumas narrativas posteriormente. 


No ano em que se casou, enviou uma história para uma revista de ficção científica chamada Fantastic/Amazing Stories, onde conseguiu sua primeira publicação. Muitos anos depois, iria escrever contos para Monarch Books, uma editora de segunda classe onde ela escrevia contos eróticos sob vários pseudônimos.


Com o dinheiro extra, Marion conseguiu se formar e virar professora. Este era o plano para quando o marido pudesse se aposentar e ela trazer renda para a casa.

Em 1958, conseguiu seu reconhecimento como escritora assinando o primeiro volume de “Darkover” com seu próprio nome. Divorciou-se e foi fazer pós graduação na Universidade da Califórnia. E foi lá que ela conheceu seu segundo marido com quem teve mais dois filhos e voltou à vida de mãe e dona de casa. Mas Marion não repelia essa vida:

“Fui para Berkeley, tornei a casar; tive mais dois filhos em meu segundo casamento e descobri outra vez que escrever era uma maneira de ficar em casa com as crianças enquanto trabalhava. É por isso que nunca acreditei nessa história de que a vida doméstica prejudica a atividade intelectual de uma mulher; enquanto as crianças eram pequenas, escrevi alguns livros por ano.”

Marion se separou do marido depois de ele ser acusado e preso por abuso sexual infantil. Mesmo separados, porém, mantiveram relações comerciais, já que ele a ajudava desde o início com a série “Darkover” com revisão e finalização. Ela disse uma vez sobre o ex-marido:

“Walter Breen é um escritor perito em inventar personagens raros, um profissional exemplar, que está na inviável posição de saber mais do que eu mesma sobre Darkover – ele lembra de tudo que eu esqueci.”

Em 1993, ela publicou o primeiro livro da série “As brumas de Avalon”, onde conta a lenda arturiana no ponto de vista dos arquétipos femininos, tendo como protagonista Morgana, a irmã de Arthur e a bruxa da história “original”. Se tornou um bestseller mundial.

Em 1987 publicou, então, “The Firebrand”, onde é reescrita a guerra de Troia pelo ponto de vista da deusa Cassandra, renomeada por Zimmer como Kassandra.


Marion era muito fã de Tolkien e, além de suas obras originais, se aventurava na escrita de fanfics com o tema de seu ídolo. Uma de suas estórias no universo de Tolkien se chamava “The Parting of Arwen”. Marion morreu aos 69 anos, dois dias depois de sofrer um ataque cardíaco, em 1999. Suas cinzas foram espalhadas em Glastonbury Tor, na Inglaterra.  O número não é preciso, mas acredita-se que que tenha deixado mais de 50 obras, entre publicadas ou não.


Gostaram? Qual outro autor você quer que eu conte a história aqui?


Aproveito para deixar minha indicação dos livros desta autora incrível! Começando pela saga “As brumas de Avalon”.





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